Editorial


Revista Construir
Junho/2008 - pág. 62 - 69

Campo

Refúgio na mata

CERCADA POR VEGETAÇÃO, A CONSTRUÇÃO FOI PLANEJADA DE FORMA A NÃO INTERFERI NA NATUREZA E INTERAGIR COM ELA

ABRAÇADA PELA MATA ATLÂNTICA, a casa de campo é um refúgio dos proprietários a mil metros de altitude no meio do Vale de Araras, em Petrópolis, RJ. "A Reserva de mata original de 3.000 m² foi conservada e, assim tivermos a constante preocupação em manter a ligação entre a arquitetura e todo o exterior exuberante", lembram o arquiteto Alexandre Sodré e a paisagista Rita Ribeiro, do escritório Studio da Mata, de Itaipava, RJ.

Além da paisagem, as diversas aberturas nas fachadas permitem a entrada de muita luz natural e a incidência do sol nos ambientes, que ficam aquecidos nos dias de frio.
De arquitetura rústica, a casa foi construída com materiais naturais e outros aproveitados da reciclagem de demolições. "Tijolos maciços aparentes e esquadrias antigas foram garimpadas nas cidades mineiras das proximidades", contam. A casa está toda estruturada em colunas de tijolos maciços e peças de maçaranduba lavradas. No pavimento térreo, pedras rachão, encontradas na região, formam uma base isolada da umidade do solo.
Em decorrência da topografia acidentada, a casa foi acomodada no terreno em diversos níveis. No inferior, foram projetadas garagem, lavanderia, uma sala e duas suítes. No pavimento acima estão localizados estar com lareira, sala de refeições, varandas, hall de entrada e terraço. Em um nível acima, encontram-se copa e cozinha, banheiro, lavabo e suíte máster. Em outro patamar, estão sala de TV, sala de leitura e outro dormitório. "Em um nível mais elevado ainda, próximo à cumeeira, localiza-se um jirau, espaço que foi aproveitado como escritório", dizem os profissionais.
As fachadas apresentam-se com volumes distintos, resultado dos diferentes níveis da edificação.
Como a região tem clima frio e invernos rigorosos, os profissionais buscaram soluções para deixar os espaços internos confortáveis." Utilizamos madeira nas paredes, pisos e forro do telhado, o que favorece o conforto térmico produzido pela incidência do sol, e complementamos com a instalação de uma lareira", contam. Esse componente foi valorizado no estar e ganhou revestimentos de tijolos maciços aparentes, seixos e quadro de eucalipto roliço, no mesmo padrão da parede.
Pensando no conforto, nos pisos das salas de lareira, de TV e nos dormitórios foi instalado assoalho de madeira jatobá. Para os ambientes de maior circulação, foram especificados lajotões de cerâmica artesanal e placas de ardósia marrom. No Box da suíte principal, o piso cimentício garante o conforto térmico no banho.
Em todo o telhado foi aplicado forro de cedro envernizado e, na construção, acrescida uma subcobertura de manta aluminizada sob as telhas de cimento.

DO LADO DE FORA
Para conseguir perfeita harmonia entre a casa e o exterior, houve uma grande preocupação em aproveitar e cuidar do entorno. Perto da casa, em uma área gramada no nível térreo, foi projetada uma piscina com fundo infinito voltada para o vale, que remete a um espelho d'água.
Com 50 m², a piscina foi construída em concreto armado. Uma parte mais rasa constitui prainha e área para hidromassagem. O formato sinuoso contorna essa área, acompanhando as formas das montanhas que cercam a piscina. Na parte geométrica, foi possível projetar uma raia para natação. O revestimento interno é de pastilhas cerâmicas (5 x 5 cm) azuis e os degraus e borda são de granito apicoado.
Próximo à piscina, na mesma área gramada, foi projetada uma cozinha caipira com fogão e forno a lenha. " A cozinha foi construída semi-encravada no terreno para o melhor aproveitamento da área plana disponível. A parte aparente da construção foi estruturada em peças de eucalipto autoclavado e recebeu cobertura de telhas asfálticas do tipo Shingles sobre tábuas de pinho", explicam.
Os módulos de concreto da churrasqueira e fogão com forno foram revestidos de tijolos maciços de demolição e tijolos do tipo adobe. Para as refeições, o arquiteto desenhou uma mesa com bancos integrados, feita com o mesmo eucalipto autoclavado usado na construção.

EXTENSÃO DA CASA
O grande desafio da paisagista Rita Ribeiro foi aproveitar a topografia acidentada do terreno, criando um jardim integrado com a casa em seus diversos níveis."Muros de pedra proporcionaram a criação de platôs, onde móveis de madeira roliça foram dispostos em ambientes de relaxamento e contemplação", afirma Rita.
As espécies foram plantadas de forma a parecer que sempre estiveram lá e a paisagista preocupou-se em usar plantas que apresentem cores e texturas durante o ano, permitindo que assim como na natureza, as estações sejam sempre marcadas.
"Das espécies vegetais escolhidas, a predominância é de plantas perenes, de manutenção mais fácil, muitas delas são suculentas", diz. As árvores se inserem naturalmente no cenário, algumas são nativas da Mata Atlântica, outras foram plantadas logo no início da implantação do jardim.
Os móveis de eucalipto tratado são criações do arquiteto Alexandre Sodré.











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