Editorial


Revista Estações de Itaipava / Primavera 2010
Novembro/10

Paisagismo

Muito Além da beleza

Quando se decidiu pela confecção da presente matéria para integrar esta edição de primavera, a intenção da equipe era receber a mais colorida das estações com imagens de belos jardins que traduzissem as tendências atuais do paisagismo. Logo na fase de apuração dos dados, entretando, ficou claro que a idéia original, uma simples celebração da beleza que toma conta da nossa região no período que vai de setembro a dezembro, poderia ganhar uma importância muito maior.

Foram as informações transmitidas por alguns dos maiores especialistas no assunto da região – os arquitetos e paisagistas Sergio Treitler, do Cache-pot; Sonia Infante, Arteiro; Rita Ribeiro, Studio da Mata; e Patrícia do Lago, da empresa homônima – que ampliaram enormemente a percepção da importância do tema que seria tratado, transcendendo o simples conceito de estética e trazendo as diferentes questões sobre o paisagismo para ocupar as páginas principais desta edição da Estações de Itaipava.
Vamos a elas.

(Texto fotos das páginas 12 e 13 – ESPAÇOS MONTADOS PARA REFEIÇÕES AO AR LIVRE E JARDINS QUE INCLUAM PEQUENAS HORTAS (NO ALTO, À DIREITA) REFLETEM A NECESSIDADE CRESCENTE DO CONVÍVIO MAIS ESTREITO COM A NATUREZA, COMPORTAMENTO OBSERVADO POR RITA EM GRANDE PARTE DOS SEUS CLIENTES.)

MUITO ALÉM DO INTERIOR

A organização de espaços que permitam a harmonia entre atividades de lazer nas áreas externas de residências e a preservação do ambiente natural como fonte de vida e sobrevivência de espécies vegetais e animais é, infelizmente, uma prática que vem se avolumando. Para Rita Ribeiro, este é um reflexo da crescente necessidade das pessoas de um convívio mais estreito com a natureza.

“Como o ritmo de vida está cada vez mais alucinado, o que temos visto é uma grande valorização do hábito de ficar em casa, e, preferencialmente, do lado de fora. Como forma de relaxamento, as pessoas procuram meios de relaxamento, as pessoas procuram meios de contemplar a natureza e essa postura determina o uso crescente das áreas externas e a implantação do projeto paisagístico”, avalia. Ela lembra que a implantação do paisagismo não é algo restrito a grandes áreas fora dos centros urbanos. Mesmo em um apartamento é possível criar espaços que permitam o convívio estreito com a natureza.

Quando se fala em estilo, a palavra-chave é, de acordo com ela, “natural”. “Como a própria natureza tem sido a fonte maior de inspiração, o estilo que fica mais contemporâneo é o rústico, que não é muito formal ou rígido, e com farta utilização de cores.
Como se o jardim não tivesse sofrido intervenções pelo homem”, diz. Para ela, outros aspectos importantes são a harmonia entre as cores uma mistura de plantas que garanta um jardim florido durante todo o ano. “Assim, as pessoas podem ter uma noção mais clara do ciclo da natureza, percebendo suas mudanças a cada estação”, observa Rita.
Com este mesmo objetivo, o reflorestamento também vem sendo adotado com freqüência nos projetos. Além de permitir o acompanhamento total do desenvolvimento das árvores, o plantio de determinadas espécies tem sido bastante utilizado como forma de resguardar espaços de ruídos ou vistas indesejáveis, especialmente em condomínios, onde, não raro, a distância entre duas propriedades vizinhas é pequena. Normalmente, este plantio é realizado em áreas inclinadas e acaba sendo útil também para evitar a erosão do solo e problemas como o desbarrancamento.

MUITO ALÉM DO JARDIM

Hoje, a integração entre variados espaços destinados ao lazer e a natureza tornou-se bastante comum. Uma simples churrasqueira ao lado da piscina é coisa do passado. Agora, a construção de ambientes para as refeições, ou mesmo cozinhas gourmets totalmente equipadas, em estruturas anexas às principais tem ganhado a preferência de moradores e veranistas da Serra. E se as refeições são preparadas e consumidas no jardim, nada melhor do que colher ali mesmo a matéria-prima. “Temos recebido muitos pedidos para que canteiros com flores comestíveis, temperos e mesmo algumas hortaliças sejam integrados aos projetos”, conta a paisagista.

A crescente preferência por este estilo de vida mais natural tem influenciado também os projetos arquitetônicos. As novas construções não são mais enormes como antes e sim desmembradas em anexos.

“Uma tendência atual é que diferentes ambientes venham sendo erguidos aos poucos, separadamente da estrutura principal, e o paisagismo, muitas vezes é o que determina a distribuição desses novos espaços. As duas disciplinas têm uma ligação muito estreita e, por isso, o ideal é que os projetos de arquitetura e paisagismo sejam elaborados ao mesmo tempo”, defende Rita.

(Texto fotos da página 21 – ACIMA: NOS PROJETOS DE RITA RIBEIRO, COMO ESTE EXECUTADO EM ITAIPAVA, A INSPIRAÇÃO QUE VEM DA NATUREZA ACENDE O SINAL VERDE PARA O LARGO USO DE FLORES MULTICOLORIDAS E O VERMELHO PARA A RIGIDEZ E A FORMALIDADE.

RITA PRIORIZA O REMANEJO DE ELEMENTOS JÁ EXISTENTES NO TERRENO, COMO PEDRAS QUE JÁ SOFRERAM A AÇÃO DO TEMPO, PARA COMPOR NOVOS AMBIENTES DE FORMA QUE A INTERVEÇÃO HUMANA NÃO FIQUE NÃO VISÍVEL.
A VALORIZAÇÃO DO ELEMENTO ÁGUA, SEGUNDO A PAISAGISTA, É OUTRA CARACTERISTICA DOS JARDINS PLANEJADOS PARA LOCAIS DE CONTEMPLAÇÃO.)








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